sábado, 25 de julho de 2009

As curvas da estrada traziam a angústia de não o deixar saber das tragédias que podiam estar a esconder. Cada gota de chuva fina a gelar o antebraço brincava com a vontade de apagar o cigarro e fechar o vidro. Do lado, ela dormia. Olhares desviados, prolongados pela necessária espera pela iluminação dos postes da estrada, interrompidos pela necessária atenção ao caminho chuvoso. A mão na marcha, o sangue no punho, o vidro na pele. A mão na cabeça, o sangue no cabelo, o cigarro na boca e depois no asfalto. Ela tinha que ter puxado aquela arma? Do asfalto macio para o barro enlamaçado. Dois quilômetros só à luz dos faróis até que tudo parasse. O carro pára, o homem pára, a chuva pára, e ninguém respira. As mãos no volante e a cabeça entre os punhos, suspiros denunciam um choro de arrependimento. Não fosse o irrigar da terra promovido pela chuva, as esporas de manchas vermelhas não tocariam o solo. O homem andou até o porta-malas do carro, virou a chave, e fez o barulho de mala se abrindo se ouvir. Fincou a pá no solo e foi em direção ao acento do carona.