sábado, 25 de julho de 2009

As curvas da estrada traziam a angústia de não o deixar saber das tragédias que podiam estar a esconder. Cada gota de chuva fina a gelar o antebraço brincava com a vontade de apagar o cigarro e fechar o vidro. Do lado, ela dormia. Olhares desviados, prolongados pela necessária espera pela iluminação dos postes da estrada, interrompidos pela necessária atenção ao caminho chuvoso. A mão na marcha, o sangue no punho, o vidro na pele. A mão na cabeça, o sangue no cabelo, o cigarro na boca e depois no asfalto. Ela tinha que ter puxado aquela arma? Do asfalto macio para o barro enlamaçado. Dois quilômetros só à luz dos faróis até que tudo parasse. O carro pára, o homem pára, a chuva pára, e ninguém respira. As mãos no volante e a cabeça entre os punhos, suspiros denunciam um choro de arrependimento. Não fosse o irrigar da terra promovido pela chuva, as esporas de manchas vermelhas não tocariam o solo. O homem andou até o porta-malas do carro, virou a chave, e fez o barulho de mala se abrindo se ouvir. Fincou a pá no solo e foi em direção ao acento do carona.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

De um cão vagabundo fez-me rei
Perdido no mundo a paz encontrei
Tão belos seus olhos, minha querida
Esquece-se a dor e o cansaço da lida

Quis cobrir-te de carinho e atenção
E você receosa de minha vida vadia
Mas dentro aqui só amor e emoção
Eu sei, por ti vou proceder
Abandonarei de vez a orgia

E foi só um deslize sem valor
Pra acabar de vez com a fantasia
Da esperança veio seu ódio e seu rancor
E minha vida cada vez mais vazia

Mas com essa mágoa passando do seu peito
Quem sabe me aceite de outro jeito
Eu hoje já não sou quem antes fui

Porque nessa vida aprendemos com nossos erros
Nossos medos, temores e defeitos
E o meu medo maior é te perder

Diego Ribeiro