segunda-feira, 29 de junho de 2009

Voltar


Era tudo um paraíso,
Flores belas de pétalas macias
Mas as mesmas rosas
que faziam desse lugar, feliz .
fizeram questão de me atirar
todos os seus espinhos.

As calçadas odiavam quando eu passava
tentando pisar nos desenhos,
e eu era o tolo que as amava
acreditando que aqueles eram
os mais belos desenhos do mundo.

A mais bela cidade do mundo
era pequena e pacata,
mas aspirava um dia ser
a maior potência do mundo.

Ar

Eu só queria saber de alí ficar,
de pelas portas entrar,
e falar do bem que fazia o ar
só por um pouco dele poder respirar

As pessoas me olhavam a passar,
me viam cantar, me queriam matar.
Eu só queria a elas olhar,
observar seu caminhar,
falar bem do meu delas gostar.

Eu gostava de viajar,
mas de sempre para a cidade, voltar.
Dia de nuvens, não me esforço para lembrar.
No dia do encontrar, da minha alma lavar.

A porta fechada.

Você não pode voltar!
Na cidade, não vai mais entrar.
É bom que procure um lugar,
qualquer outro para morar.

Eu não pude acreditar,
quis poder os muros pular,
em carrocerias entrar.
pelo portão passar a assoviar.
Mas vi cada tentativa murchar,
e um desanimo se instaurar.

A procura de um novo lar,
sempre quis ,para lá, voltar,
e quando podia uma rota mudar,
via logo um motivo para por lá passar.
Vi a barba crescer e o caos reinar,
vi mulheres promíscoas em portas de bar.
Ninguém sabe como doía o meu querer voltar.

A saudade era tanta de me fazer chorar,
agonia de não poder perguntar,
que diabos havia acontecido por lá.
Por que raios queria a cidade me maltratar
eu que daria a vida por tanto la amar
momentos eu tive de desesperar

fazia de tudo para um plano bolar,
até que o acaso me fez encontrar.
um ex-vizinho da ex-cidade a falar,
Malditas notícias tive que escutar
da raiva eu quis a cidade odiar.
jurei para lá nunca mais voltar.

Chão

Nos sonhos eu vejo tanta confusão,
mulheres gritando a me ouvir não
nenhuma me arranca sequer confissão,
e que morram todos daquela prisão.

A tarde que cai traz aquele pifão,
que faz da garganta aberto vulcão,
soltando fumaça em erupção,
a noite boêmia é a minha direção.

Um copo, dois corpos, são a diversão.
A mente que vai sem saber dizer não,
ergue um brinde em meio à multidão.

Sair

Daquela cidade tive que sair,
e mais de 2 anos fiquei sem dormir.
Sonhando com o dia de poder partir,
levantando só para poder cair.

Vendo cada pensamento sumir
O peito aberto querendo fugir
O que era dor por fim se exaurir
a garganta fechada, de palavras munir

para enfim um brinde erguir!

"Amigos de bar,
vocês são os melhores!
pois me dão a melhor certeza de todas.
A de que não estarão aqui amanhã!"

A multidão a aplaudir,
bêbados a consumir,
a raiva do meu partir.


Saio com as ferramentas necessárias
e com a certeza que de destruirei
aquela cidade de merda!

Todos pagarão com o que de maior valor tiverem
e receberão os meus sinceros agradecimentos
pela extraordinária mudança
que mesmo sem querer
puderam me proporcionar.