segunda-feira, 13 de abril de 2009

Sobre o muro

Dois olhos de menino acreditavam se esconder por cima do pequeno muro. A menina brincava no quintal, fingia não saber que era observada. Ah, essas mulheres. Como são capazes de já saber todos os meandros das relações com tão pouca idade? Ela o fazia endoidecer. Corria e pulava num balançar de cachos que fazia o menino esquecer do mundo. Ela tentava disfarçar quando conferia se ele ainda estava lá mas não conseguia, quando os olhares se encontravam ele abaixava, sentava e se perguntava sobre os seus atos e sentimentos. A cena se repetia constantemente, e quando os seus colegas de escola se gabavam das meninas conquistadas nas festinhas da turma, ele dizia ter uma namorada que morava na sua rua.

Uma noite, os vizinhos decidiram visitar os pais do garoto. Eram amigos e, embora morassem tão perto, fazia um certo tempo desde a última vez que conversaram. Na sala, os pais conversavam coisas que os dois não conseguiam acompanhar, entretanto, permaneciam quietos, sentados, estranhos de tão comportados.

- Clarinha, você gosta de vídeo-game? – perguntou a mãe do menino. Ele pensou rápido. Na certa a sua mãe percebera que ambos não estavam gostando da conversa de pais e iria propor que ele a mostrasse o seu quarto. E agora? Ela vai dizer não! Mentalizou e torceu. Naquele momento, se conformou com os olhares de cima do muro e quis não ter sonhado tanto com o dia em que a encontraria. O coração bateu forte e ele sentiu na barriga um frio de descida de montanha-russa. A menina fez que sim com a cabeça.

- Ah, então. Pedro, por que você não mostra uns joguinhos pra ela? – ele pensou “não” e fez cara de “tudo bem”. No gaguejo mental, levantou e foi em direção ao quarto.

- Não agüentava mais aquele papo... E aí, quais jogos você tem? – Ah, as mulheres. Ela fez o garoto não querer que chegasse a hora de os pais dela irem embora.

Ele nunca quis tanto que os seus colegas começassem a se gabar. No dia seguinte falaria com toda a propriedade que tinha passado a noite com a sua namorada.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Olhos

É quando se começa a questionar
a cor dos olhos por fotos
que está completamente comprometido
à causa do potecial amor.

Antes eram verde-escuros,
agora já começo a pensar em castanho-claros.
Malditas fotos à luz do sol!
Malditas fotos!

pudera eu te ver agora...
Os analisaria até perder-me
no infinito que eles me propõem.
Fundos e perfeitos,
são da cor que me der na telha.

Aliás, a hipnose provocada
é, para mim, motivo de tanta perfeição
que faz das cores e formatos
mera prerrogativa.
Amo olhar-te, ainda que de longe.

E querer-te, tanto que de perto.
Até o dia em que a sensação
provocada pelo cheiro de abraço
far-se-á maior
do que qualquer lindo desenho de olhos.

Dedos se entrelaçarão,
para me fazer fechar os olhos
ao lembrar do dia
em que supus quais seriam a cor dos teus.