sábado, 14 de março de 2009

As águas nunca param

Eram dois barcos
Eu no meu
e você no seu
a descer
pelas corredeiras da vida

Sempre lado a lado
os cascos sempre colados
os braços sempre dados
às vezes, de tão juntos, abraçados.

Desciamos sempre contentes
devagar ou rapidamente
despencando das mais altas cachoeiras
e ficando feliz em perceber
que abraçados estávamos
na calmaria que sempre estava por vir

Inconveniente pedrinha!
a que fez os cascos descolarem-se
Dela fez-se uma bifurcação
que findou, dos braços, a união.

Estáticos eles ficaram
inertes à fôrma do abraço
Eu só via o seu olhar
pelas frestas de árvores que passavam
a pedir-me feito criança que quer colo

Da ilha do meio surgiram montanhas
que de tão altas me inibiam a vontade
recorrente de largar o meu barco
e correr para o seu rio

Meus braços nunca mais se moveram.
Para frente, eu nunca mais olhei.
Por esperar vale qualquer
que me deixasse te ver.

Antes fossem as montanhas, eternas!
Eu não te veria sorrindo a olhar para frente
O sorriso lindo era o mesmo
que me fazia aumentar o volume
das águas do meu rio em uma lágrima
e permanecer com os braços estendidos por ti.

Que chegue logo o oceano
Que eu odeio te esperar