domingo, 15 de março de 2009

Nirvana

Droga, odeio esperar. Esses momento nos fazem pensar em cada coisa, desde coisas inúteis como quantas pessoas devem ter sentado para esperar nesse banco à coisas paradoxais como no quanto odiamos ter que esperar. Acho que deve ter algum número de média por dia. A maioria deve preferir sentar exatamente onde eu estou, não têm muitas sombras por aqui. Se já tivesse alguém aqui acho que eu esperaria em pé mesmo, na sombra. Acho que sentaria no chão, até que esse gramado parece estar convidativo. Bem, estaria se eu estivesse aqui em busca de um período de meditação ociosa. Mas como estou esperando, ele só serve pra me dar vontade de levantar e andar de um lado pro outro. Por que será que fazemos isso quando esperamos? Deve ser por que quando fazemos algo o tempo parece passar mais rápido. Como a sombra por aqui é coisa rara, prefiro que essa coisa seja o pensamento paradoxal a andar de lá pra cá. Se bem que se eu levantasse e perdesse o acento, ia pensar em tantos xingamentos que o tempo com certeza passaria mais rápido.


Tá, lá vem ela. Acho que nem me percebeu ainda, isso é bom. Dá tempo de pegar o telefone e fingir estar fazendo algo. Espontaneidade! Ela vai ver só. Vai ouvir tudo! Ah, esse cheiro de shampoo...


- Oi! - meu Deus! Como eu pude um dia esquecer de como os olhos dela ficam lindos no sol?!

- Oi...

- Tudo bem?

- Ahan... - isso, deixe que ela ache que você não liga...

Como são impressionante as coisas que pensamos em frações de segundo dos silêncios dessas horas!

- Que bom... - disse ela virando a cabeça para pegar os livros e fazer os cabelos lançarem aquele cheiro outra vez. Levantou e foi embora.


É nessas horas que eu percebo ter tendências indus, já tentou ficar sem pensar em nada? Ouvi falar que isso é o nirvana. Tá, dura pouco, eu sei. E eu geralmente começo a pensar na definição de "nirvana" logo após atingí-lo. Enfim, quem não liga? eu ou ela? Anda, monge, aproveita esse celular na mão aí e liga pra ela. Fala, finge que liga, sei lá. Faz alguma coisa!

sábado, 14 de março de 2009

As águas nunca param

Eram dois barcos
Eu no meu
e você no seu
a descer
pelas corredeiras da vida

Sempre lado a lado
os cascos sempre colados
os braços sempre dados
às vezes, de tão juntos, abraçados.

Desciamos sempre contentes
devagar ou rapidamente
despencando das mais altas cachoeiras
e ficando feliz em perceber
que abraçados estávamos
na calmaria que sempre estava por vir

Inconveniente pedrinha!
a que fez os cascos descolarem-se
Dela fez-se uma bifurcação
que findou, dos braços, a união.

Estáticos eles ficaram
inertes à fôrma do abraço
Eu só via o seu olhar
pelas frestas de árvores que passavam
a pedir-me feito criança que quer colo

Da ilha do meio surgiram montanhas
que de tão altas me inibiam a vontade
recorrente de largar o meu barco
e correr para o seu rio

Meus braços nunca mais se moveram.
Para frente, eu nunca mais olhei.
Por esperar vale qualquer
que me deixasse te ver.

Antes fossem as montanhas, eternas!
Eu não te veria sorrindo a olhar para frente
O sorriso lindo era o mesmo
que me fazia aumentar o volume
das águas do meu rio em uma lágrima
e permanecer com os braços estendidos por ti.

Que chegue logo o oceano
Que eu odeio te esperar