quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

E tu?

E tu, sabes bem o que é
ser atingido por flecha certeira?
Ora se não daquela vez de outrora,
um dia amargará a dor do não saber
de onde vêm os calafrios. Prepara-te!

Há de sentir o gaguejar de pensamentos
que invade o peito e chega às pálpebras
que insistirão em fechar a cada inspiração.
E por tal sensação, inventar um vício
de fechar os olhos só para fazer emergir
de novo a imagem de tal deslumbramento.

Há de não saber sequer o que deves pensar,
e o imbróglio feito nas suas caraminholas
servirá de nada além de passatempo
para a hora do “então”, bem como para afirmar
tudo o que já saberás estar acontecendo contigo.

Há de tudo fazer sem nem mesmo pesar.
De inventar! Jeitos e maneiras
para coisas antes fúteis ou irrisórias.
Andar, para frente, sem medo de pisar
em solos nunca antes sequer vistos.
De se arrepender de se arrepender,
no vai e vem de decisões que no fim
serão todas cúmplices do “acontecer”
que chegará sem que tu tenhas ciência.

Há de chegar o dia do encontro,
no qual todas as palavras medidas e arquitetadas
cairão por força do gesto maior.
Verás que o tão esperado ósculo
passará feito tufão.
De beleza ímpar e inestimável,
que trará a dor da saudade minutos depois.
E te deixará – para sempre –
Com o arrependimento de ter os olhos tido fechado.

O teu pensar será dela, e as tuas trêmulas
mãos só servirão para servir à...
Eis que me vem algo!
Como poderás tu, ao ler isso,
saber que se fechar os olhos
te arrependerás e não tentarás abrí-los?

Faças me um favor!
Esqueças tudo o que te foi passado!
Lembra-te apenas de viver
e um dia descobrirás
que a saudade e o arrependimento
serão teus futuros companheiros de passatempo.
Enquanto escreverás coisas de amor.