sexta-feira, 21 de novembro de 2008

De olhos fechados

À noite, quando deitas
e teus lindos olhos fechas
Sabes que é minha,
a altiva voz que te clama

E sabes, que se tentas, podes ver-me.
A, por ti, sem rumo vagar
nos umbraos da vida
Sem pensar em te esperar,
a querer te preocupar.

Vê-me implorar-te a cada esquina
Sabes que teu corpo, peço!
Pois a cada só manhã
Sei que quando sinto o teu cheiro
Tu,também, meu cheiro sentes

E quando insistimos em pensarmo-nos
Vêmos duas amantes almas
Que, separadas bruscamente,
Sem culpa alguma do destino
Teimam em suspenderem-se

A bailar em um matar de saudade
Subversivo e inconsciente
Incerto e incoerente
Que é por frequente rompido abruptamente
Por estalar de dedos quaisquer
Que nos traz devolta à vida chorosa

De quem odeia ter de esperar
Aquilo se concretizar
Assim, volta se a levar
Aquela vida de vagar

A tentar abrir cadeados
Sem nunca deixar de chorar
sempre de olhos fechados.