Sinta-se artista
daqueles que dão autógrafo
e ouvem o tempo todo
"gosto do seu poema".
Quero dizer, poetiza
"gosto do seu poema"
a ponto de o querer para mim
por querer ser gota
e em certo solo seco
penetrar mas fundo que chuvaréu.
Vício do utópico,
eterna vontade,
e viver a sonhar
daquilo se materializar.
E quem sabe ver
certo caos se instaurar
E ao sonhar,
perder o chão,
viver o que poderia ter sido
por instantes ver o chão chegar
o vão seco do solo se abrir
a me temer entrar
Acontece, poetiza,
que teu poema se faz gota
a tempestadear minhas horas
e a fazer explodir flores
Do que não vivemos,
dos sonhos que tivemos.
Ah, o nosso futuro inchegado.
Ah, as vontades inconsumadas.
Explode a flor da saudade
da minha dela proteção.
Na ânsia de gota ser
percebo gota ter
e acabo por reconhecer
que sempre com o orvalho-lágrima
hei de crescer.