quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Olhar de recreio

Antes fostes monumental.
Lembro ainda como era
acordar disposto
a passar o dia inteiro
sem pensar em outra coisa.

Na carta, revelar
o cheiro guardado
dos poucos encontros,
as declarações e vontades
nunca concretizadas.

Como era bom te levar
para os pensamentos sonhadores
de quem pensa antes de dormir.

Como era bom te levar
para todos os cantos
em rabiscos e tentativas
de poesias infindas.

Bons tempos, os de garoto
que não quer mais nada
senão aquela que faz
seu coração bater mais forte
só por ter correspondido
os olhares da hora do recreio.

Amar era especular
Acreditar, mesmo sem saber
o que deveria fazer
ao ouvir um "sim".
Era ficar bobo
com qualquer reciprocidade
singela manifestada

Parece que foi ontem,
tantos anos se passaram
e a vida teima
em me fazer abrir a gaveta
para ler o que tu me escrevestes
naqueles dias.

Tenebrosos dias
que saístes da minha vida.

E se hoje não te busco,
é pra não perder o sonho.
De um dia te encontrar
num recreio da vida,
e te ver me olhar.
Daquele jeito
que só você soube fazer.