segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Chuva no meu sertão.

Sem ti, virei um.

Tive que saber andar só
nos solos ariscosdo semi-árido do mundo.
E foi bem.

Natural que os sonhos caiam,
a vida mude,
a gente ande crescido
com a bagagem de tristeza nas costas.

Cresci.
Um só,
mala nas costas.
O semi-árido do mundo
enredando meu coração.

Eis que apareces,
altivo do céu de lugar nenhum
pingando uma gota de dó
que me encharca os olhos,
tempestadeia minhas horas
e me varre o sentido.

Os outros ficam o sendo, só
e eu mal entendo
como a tua gotazinha
penetra meu solo seco
mais fundo que qualquer chuvaréu.

Explode a flor da saudade.
Do que não vivemos,
dos sonhos que tivemos.
Nosso futuro inchegado,
as vontades inconsumadas,
a camaradagem criança,
a tua minha proteção.

A tempestade passada,
fica o orvalho-lágrima
nessa planta que não morre
(não importa o tempo passe)
que tu brotaste em mim.



Bárbara Araújo Machado