segunda-feira, 2 de junho de 2008

A noite.

Era o dia melhor da sua vida, o véu branco que prejudicava a visão foi sonho em muitas noites adolescentes. Sonhos de princesa, que evoluíram com o tempo, fazendo com que ela não mais exigisse um príncipe encantado.
Desceu do chrysler com cuidado, posou para fotos e foi de encontrou ao pai. A expressão paterna quase a fez chorar. Respirou fundo e olhou para a igreja lotada. Parentes, amigos, e gente da qual nem ela lembrava aonde conhecera. No altar, viu um noivo de sério semblante e padrinhos que pareciam de papelão. Era tanta gente, que ela não sabia para onde olhar. E para onde olhava sentia a falta daquele que fora o mais importante da sua história.
Caminhou sobre o tapete vermelho ao som da marcha nupcial, imponente por fora e encolhida por dentro. A indecisão fora combatida por uma coragem tirada de onde nem Deus sabe. Atravessava os passos e forçava o ritmo, que era constantemente contido pelo pai. Ao chegar ao altar, não conteve as lágrimas ao ver que os traços do noivo nada lembravam os daquele dos tempos de sonhos de príncipe. Ele fingiu não ver as lágrimas e voltou as suas atenções às falas do padre. Ela fechou os olhos e se viu no lugar onde vivera a melhor fase da sua vida. Viu cachorros correndo e sentiu beijos antigos. Mais uma vez, desejou voltar no tempo. Desejou não ter deixado escapar aquele que a tinha feito conhecer o verdadeiro amor.
E assim, de olhos fechados, fez o sermão passar mais rápido. Mais uma vez olhou para trás, inquieta, tinha esperanças em vê-lo em uma noite tão importante para a sua vida. Procurou tanto que o encontrou, lá estava ele. Estagnado, lágrimas mudas e um rosto que não se movia. Não chegava a piscar, triste. Quando percebeu que a noiva olhava para ele, deu um sorriso forjado e balançou a cabeça para frente. Ela não fingia mais, já não havia maquiagem restante. Desejou fugir, feito em filme de cowboy. Não teve coragem.
Ao fim da cerimônia, só restava uma certeza. A de que não queria estar ali, na melhor noite da sua vida. Percebeu que houve outras melhores, muito mais mágicas. Noites cujas lembranças ainda fazem-na chorar. Lembrou de manhãs, tardes, que faziam-na suspirar; percebeu que o passado nunca sairia da sua cabeça. E pensou novamente em como teria sido, se ela não tivesse tentado deixar de amar aquele que fora o único capaz de dar a vida por ela.